E quem não gosta ?

Eu gosto de gente que canta alto sem perceber quando está com fones de ouvido. E na rua. Eu gosto de gente que sorri para grávidas. Eu gosto de gente que derruba coisas. Eu gosto de gente que ri das minhas piadas. 


Eu gosto de gente que gosta de cozinhar. Eu gosto de gente que para no meio da rua para cheirar uma flor. Eu gosto de gente que dá uma ajeitadinha no cabelo no espelho do elevador ou no reflexo dos vidros dos carros parados – e disfarça.


Eu gosto de gente que tem teorias. Pode ser sobre qualquer coisa, não faço muita questão. Eu gosto de gente que usa gírias ou expressões totalmente deslocadas (eu disse des-lo-ca-das, e não des-co-la-das), como “não me arrelia!”, “seu paspalho”, “grande maroto” e “pouco ortodoxo”.


Eu gosto de gente com senso de humor suficiente para ver um conhecido na estação de metrô e, em vez de gritar “ô, fulano!”, correr para alcançar silenciosamente o amigo e andar a seu lado quietinho até o coitado tomar um susto, do tipo “oh, é você!”.


Eu  gosto de gente que conta histórias nas quais elas *não* se dão bem no final. Eu gosto de gente que cita “Freud” e “Friends” na mesma conversa.

Eu gosto de gente que anda olhando para trás e acaba batendo no vidro. De gente que fala cantado. De gente que diz o que a gente não espera. De gente que ouve músicas muito diferentes umas das outras. De gente que usa camisa dos Beatles. De gente com sotaque, de qualquer lugar.

Eu gosto de gente que observa em silêncio e ri alto. Eu gosto de gente que olha para o céu quando passa um avião. Eu gosto de gente que se maravilha. Eu gosto de gente que anda na rua cantando. Eu gosto de gente que faz comida para mim. Eu gosto de gente que aninha bebês. Eu gosto de gente que escreve em mais de uma língua na mesma frase, misturando os termos. Eu gosto de gente que toma café.


Eu gosto de gente que se esquece, se lembra e ri sozinha, tudo isso em silêncio, no trem.

Eu gosto de gente.

@fluoxetinagirl