Exportação de energia para Europa começa em 2020

Portugal vai exportar electricidade e gás para a Europa. A construção das infraestruturas de ligação nos Pirinéus (França) terá de ocorrer até 2020, conforme estabelecido no acordo europeu, em Bruxelas. A existência destas “estradas“ possibilita ainda que as empresas reforcem os seus investimentos nas energias renováveis.

A interconexão nos Pirinéus é reinvindicada há décadas. França comprometeu-se agora com a sua construção.

França obrigada a ligar-se à Península Ibérica

A necessidade de interconexões entre a Península Ibérica e a França tem sido discutida há décadas. Os franceses foram travando o processo como forma de manter o negócio para as empresas francesas. “O acordo europeu é uma carta política, um compromisso que deverá impedir a França de fazer manobras – como tem feito – e não executar as infra-estruturas necessárias", reforça Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal.

A instabilidade política em torno das regiões habitualmente fornecedores de energia à Europa - Ucrânia e Rússia - veio forçar esta tomada de decisão. A redução da dependência energética da Europa face a estes países tem sido um dos pilares da política energética europeia. “Este é um ato político dissuasório no recurso à Rússia. Porque a dependência da Europa face à Rússia é muito grande no que respeita sobretudo ao gás”, observa aquele que já foi secretário de Estado da Energia.

A Europa é a única economia de peso que produz metade da sua energia sem emissão de gases com efeito de estufa (23% de origens renováveis e 27% de origem nuclear), uma tendência que pretende manter, segundo a Estratégia Europeia de Segurança Energética.

Portugal é alternativa à Rússia no fornecimento de gás

Ora, os sete terminais de gás existentes na Península Ibérica representam metade da capacidade de gás liquefeito consumido na Europa, e podem trazer gás de qualquer parte do mundo. A maioria do GNL que chega a Portugal tem origem na Nigéria, mas vem também de países como o Qatar, a Guiné Equatorial ou Trinidade e Tobago.

“Para Portugal é muito importante porque valoriza, por exemplo, o terminal de Sines que tem capacidade para operar com muito mais gás do que hoje opera. Também vai contribuir para reduzir os custos das infraestruturas que pagamos por não ter a utilização que deviam. E abre-se ainda uma janela de oportunidade ao nível do armazenamento de gás, uma vez que Portugal tem condições geológicos muito propícias para o armazenamento em caves de sal”, enumera o responsável máximo da Endesa Portugal.

A REN, Redes Energéticas Nacionais, tem três cavidades salinas que armazenam gás natural a alta profundidade com uma capacidade máxima de 1,64 TWh. A estação de gás da REN responsável pela operação destas cavidades interliga-se com as cavidades de outro concessionário. Para a construção das cavidades salinas, a REN possui uma estação de lixiviação que, associada a um sistema de captação de água e a um sistema de rejeição de salmoura no mar permite a construção de mais cavidades, segundo informação da entidade.

Para dar cumprimento a estas metas, a Comissão Europeia irá implementar medidas urgentes, monitorizar e encontrar fontes de financiamento, segundo o acordo estabelecido. Até Março de 2015 deverá ser apresentado um plano de ação com as medidas para atingir estes objetivos.

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