O que queremos é o que estamos pedindo? Ou estamos pedindo errado?

Para solicitações não específicas, respostas genéricas

Pede-se muito, mas pouco se é atendido. E quando se é atendido, não se fica satisfeito. Por quê?

Lembrei-me de uma frase muito usada em treinamentos corporativos que serve bem para ilustrar meu pensamento:

"Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve."

Ou então:

"Quem não tem objetivos, qualquer resultado deve ser satisfatório".

E para ilustrar ainda mais, tomo emprestado, da História em Quadrinhos "Pateta Faz História como Frankenstein", a seguinte sequência:

É engraçado, não é? Só que não é, se nos colocarmos para refletir sobre muitas das ditas pautas de reivindicação que são feitas, sejam por manifestações, seja por escrito, por conversas, ou até em orações, aquelas feitas à divindade.

A falta de especificidade do que se pede (reivindica, demanda, invoca), resulta em respostas genéricas e pouco eficazes. Se é que existirá alguma resposta. E depois não adianta reclamar.

Pego o exemplo da oração à divindade (falando com quem crê).

Deveria ser do conhecimento de quem ora, que, por mais que ao Ser Supremo seja atribuído o conhecimento de tudo, mesmo dos desejos mais íntimos (onisciência), mesmo assim, para que sejam atendidas as preces, estas devem ser bem específicas e de acordo com a vontade Dele.

Esse detalhamento, além de demonstrar o que se quer, mostra que quem pede, tem bem claro seu objetivo e, caso não possa ser atendido, seja possível negociar-se uma alternativa viável. (Tanto no exemplo acima, como nas reivindicações do tempo presente).

Que as demandas pleiteadas atualmente são anseios coletivos, não há o que se discutir. Pode-se, entretanto, questionar de qual coletividade estas demandas são e se são pedidos da maioria da população.

Algumas delas são resultado de revoltas, desgostos latentes na população e, sem dúvida, devem ser expressas.

Entretanto, mesmo que se tente uma união nacional com a fala de apartidarismo e, por mais que sejam justas, que resultados teríam em uma mesa de negociação, se os detalhes do que se está posto, não são explicitados, ou são de conhecimento de poucos?

Demandar melhorias na Educação, por exemplo. Isso é pauta de todo discurso de políticos profissionais à época de eleição. Mas que melhorias são estas? Dependendo dos interesses subjacentes, a isenção de imposto a escolas privadas e a destinação de áreas públicas para construção de instituições educacionais filantrópicas pode ser considerado uma melhoria. Isso para ficar nesse exemplo fictício.

Então, se vamos à rua para manifestar pela Educação, pela Saúde, pelo Brasil, vamos endossar pautas subjacentes de quem?

A coletividade precisa de liderança. Mesmo em manifestações do porte que vemos acontecer. E não pense que as pautas genéricas ficarão sem liderança na hora de sentar para negociar. Ou vamos ficar nas ruas indefinidamente?

E com causas válidas, mas pouco especificadas, as respostas que já foram dadas, estão em pé de igualdade com o generalismo e a falta de mediadores para uma negociação em nome dos anseios nacionais.

E com isso, críticas como essa, por mais engraçadas que seja, mostram a imaturidade da análise, beirando o pensamento adolescente:

Jornal O Popular de 03/07/2013 (http://www.opopular.com.br/editorias/opiniao/charge-1.158507/jorge-braga-1.351237)

Adolescente por que, de um lado, tem o pensamento mágico de que o pedido genérico para "melhorias no país" será atendido de maneira bem específica e de outro, a "pirraça emburrada" por não ter sido atendido como se queria.

E não estou defendendo o Governo. Estou somente cansado de tanta reclamação de gente que deveria pensar mais, propor mais e que não vê a falta de direção que pedidos justos, como o fim da corrupção seguem como bandeira.

E só para provocar mais: fim da corrupção de quem? só dos políticos? ou também da sociedade civil conivente com seus desmandos? E o que é corrupção? O desvio de um milhão de reais que deveriam ir para a saúde ou o remédio que se pede por baixo do pano, nos postos de saúde? E quem, em sua idoneidade moral, ética, profissional, espiritiual, financeira e familiar poderia definir os critérios para definir a corrupção?

Fico por aqui.

Comment Stream