O Último Inverno na Itália

Dia 1: Milano - Firenze

No trem, partindo para Firenze

Chegando no aeroporto de Milano peguei um ônibus que sai a cada meia hora. Cheguei na estação e fui direto pra máquina de tickets. Eu já havia usado nas últimas vezes e não teria muita dificuldade para utilizá-la, mas mesmo assim apareceu um sujeito oferecendo "ajuda" para comprar meu bilhete. É óbvio que eu não aceitei. A regra é a mesma do caixa eletrônico...

Eu precisava ligar para o rapaz do apartamento que aluguei em Firenze, e teria aproximadamente  20 min antes da saída do trem. Mas aí aconteceu uma coisa que eu não esperava. Eu não tinha moedas para usar o telefone público! Precisava urgentemente trocar uma nota de 5 euros. Corri pra banca de revistas, o lugar menos cheio no momento, quase chorei pra senhora do caixa me dar o troco em moedas pequenas e corri pro "orelhão". Tava estragado, corri pro outro. Pedi ajuda prum rapaz (uma gracinha, por sinal) e consegui combinar o horário para entrega das chaves.

Ufa, consegui fazer tudo isso e correr pro trem. Procurei meu assento e arranquei os casacos. Já estava suando frio com tanta correria.

O professor de história da arte

Quando já estávamos quase no meio da viagem, o senhor de cabelos brancos na minha frente desligou o celular, se desculpando pela longa ligação e sorriu. Falou mais alguma coisa que não pude entender e foi assim que confessei: - Desculpe, sou brasileira e não falo muito bem o italiano. Pronto! Arrumei um amigo para papear durante o trajeto. Ele quis saber tudo sobre minha viagem.

Depois de algumas frases bem mal construídas com meu recente retorno à Itália, ele contou que é professor de história da arte e era o orientador de uma brasileira numa tese sobre o artista Bispo do Rosário, mostrou o calhamaço de papel com as obras e as observações feitas por ele. É muito interessante como as histórias se cruzam quando trocamos algumas palavras com desconhecidos. Eu adoro quando isso acontece.

Quando estávamos quase chegando ao destino final, o senhor ligou para sua esposa e perguntou o nome do castelo onde eles haviam bebido aquele vinho maravilhoso no último inverno. Rasgou um pedacinho em branco de um papel cheio de números e rabiscos aleatórios e escreveu: Castello di MELETO -> Gaiole in Chianti; do outro lado adicionou: DA DINO { a OLMO - Fiesole.

Infelizmente o castelo ainda estava fechado para visitantes, e o restaurante ficava fora do roteiro. Mas aqui estão as direções:

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Castello di Meleto - Gaiole in Chianti
http://www.castellomeleto.it/

Da Dino Ristorante
http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g1...

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Chegamos à Firenze. O senhor fez questão de me ajudar com a mala e disse: - Não se sinta mal com minha ajuda, por favor! Hoje em dia não se vê gentilezas, mas eu considero um modo de civilidade.

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