Cor e Magia nos Céus do Alentejo

16º Festival de Balões de Ar Quente - Elvas Património Mundial da UNESCO

Raquel Moreira
2014

Os Balões de Ar Quente começaram a voar, em forma de festival, no Alentejo com o objectivo de aproximar os amantes da modalidade e torná-la mais conhecida e acessível ao público e aos curiosos portugueses. Actualmente, é um dos mais importantes da Europa. O 18º Festival Internacional Rubis Gás de Balões de Ar Quente acontece de 9 a 16 de Novembro entre Alter do Chão, Crato e Fronteira e traz de volta aos céus do Alentejo as cores e as emoções do Balonismo.

Festival decorre no Alto ALentejo, entre Fronteira, Alter do Chão e crato

Balões, planícies e um festival com 18 anos

Pertence ao imaginário de pequenos e graúdos: a magia de voar num balão de ar quente. Em Novembro é possível cumprir este sonho e levantar voo, em pleno Alentejo, num Balão de ar quente, até porque o principal objectivo do festival é aproximar as pessoas do Balonismo e dos balonistas e toda a população é convidada a participar sem qualquer custo.

Um festival organizado pela Publibalão e co-organizado pelo Alentejo sem Fronteiras – Clube de Balonismo, a primeira escola de pilotos de balão fundada em Novembro de 2012 por Aníbal Soares, um dos primeiros pilotos em Portugal e detentor de licença de piloto e qualificação de instrutor.

Na edição deste ano, estão presentes 60 equipas de países como a Espanha, França, Holanda, Bélgica Inglaterra, Luxemburgo e, claro, Portugal. Pilotos que a cada ano fazem tudo para garantir um lugar num festival que se tem destacado pela qualidade e excelentes condições de voo que o Alentejo oferece.

Sandro Camarate, da organização, descreve a região alentejana como o sítio perfeito para o Balonismo. “Pelas condições naturais que tem, não só pelas condições de campos de descolagem e de aterragem que são muito bons, como também em termos de paisagem que é muito diversificada”. As planícies alentejanas facilitam o trabalho dos pilotos e proporcionam vistas aéreas de beleza inigualável, além das condições meteorológicas que oferece.

Sandro Camarate destaca o bom tempo que, normalmente, se faz sentir em Novembro e que dá garantias de um voo tranquilo. Para os mais inseguros, Sandro Camarate desfaz o mito das vertigens. "Por norma nós só temos vertigens quando estamos ligados fisicamente ao solo. O balão quando descola já não está ligado fisicamente ao chão e portanto já não temos a noção de altitude" que é o que provoca as vertigens,  esclarece.

oiça as Declarações de Sandro Camarate

Aníbal Soares, piloto profissional, sócio-gerente da Publibalão e organizador do evento, assinala que esta edição “é um marco muito importante para o festival, que ao longo destes 18 anos tem proporcionado experiências de voo gratuitas a largas centenas de passageiros”. O principal objectivo da organização é a "promoção da prática do balonismo em Portugal, pelo reforço da aposta no impacto do festival nas localidades aderentes e, naturalmente, o aumento do retorno mediático para patrocinadores e parceiros”, conclui.

Para promover o convívio entre os pilotos a organização do festival realiza inúmeras actividades durante o evento, onde vai dar a conhecer a cultura, tradições e costumes desta região do país. Com a gastronomia sempre em destaque, todos os períodos entre voos são aproveitados para partilhar experiências e aprofundar conhecimentos. Durante os voos, são também promovidos jogos que dão um toque de competição ao festival e que motivam os pilotos. Um deles é a Caça à Raposa. Vítor Pinto da organização, declara-se como o juíz desta prova que testa a capacidade de orientação e precisão dos pilotos. "Há um balão que sai com cinco minutos de antecedência, traçando um percurso", explica Vítor Pinto. Chegando a determinado ponto é colocada uma marca no solo. "O objectivo é que os pilotos acertem no alvo. Quanto mais próximo, maior a pontuação", refere.

Vítor Pinto, da organização, explica como funciona o jogo da Caça à raposa

Como todos os anos, o Festival tem um objectivo solidário, onde todos os que participam, pilotos e curiosos, são convidados a deixar um donativo. Na 18ª edição do Festival Rubis Gás de Balões de Ar Quente, os donativos revertem a favor das corporações de bombeiros das localidades onde se realizam os voos: Bombeiros Voluntários de Fronteira, Associação dos Bombeiros Voluntários do Crato e Bombeiros Voluntários de Alter do Chão.

O público, além de ter a oportunidade de voar, participa também na fase de montagem e arrumação do balão.

Como funciona o Balão de ar quente?

Todos gostamos de balões, das cores, da forma, mas como é que eles funcionam? Para qualquer viagem de balão de ar quente há um elemento essencial: o vento. O resto é ciência! E é tão simples quanto saber que o ar quente sobe mais do que o ar frio, porque é mais leve.

Um pé cúbico de ar pesa aproximadamente 28 g. O ar aquecido até aos 37,8ºC passa a pesar 7 g a menos. Para manobrar o balão é preciso brincar com a ciência e aquecer e arrefecer o ar que está dentro do envelope para conseguir subir e descer e, por isso, os balões têm dimensões tão grandes.

Assim, sempre que o piloto quer fazer o balão subir, acciona os queimadores para aquecer o ar que está dentro do envelope. Abrindo a válvula que liberta o gás, o piloto regula a intensidade da chama para aquecer o ar e aumentar a velocidade vertical do balão.

Outro dos recursos é a válvula do pára-quedas, no topo do envelope. O piloto tem uma corda presa à válvula, para abrir o envelope e arrefecer o ar do interior. Reduzindo a temperatura, reduz a velocidade de subida.

Este movimento vertical vai, ainda, permitir controlar a velocidade do balão também na horizontal. Ao deslocar o balão para cima e para baixo, o piloto aproveita as várias direcções e intensidades do vento nas várias altitudes. Normalmente, quanto mais para cima, maior a velocidade do vento.

São estas manobras que fascinam Bruno Santos, piloto de balão de ar quente, e que o fazem preferir o balonismo em vez da aviação. "Todo este jogo de antecipar o que se vai fazer, subir e descer para procurar a melhor direcção, a melhor intensidade do vento. Isto, para mim, é o que na aviação não existe", diz Bruno Santos que acrescenta, ainda, que no balonismo "é preciso fazer os trabalhos de casa antes do voo para conseguir calcular mais ou menos, dentro de um ângulo, a zona onde se vai aterrar".

Bruno Santos explica o fascínio pelo balonismo, enquanto piloto

Antes de cada descolagem, é feito um teste para verificar as condições de voo. O piloto liberta um balão cheio de hélio, um piball, para verificar a direcção e a intensidade do vento, confirmando se é seguro descolar e para que lado sopram os ventos. Só desta forma é possível prever, com maior exactidão, o sítio de aterragem do balão e se o voo pode ser realizado em total segurança.

Dado que é impossível prever o ponto exacto da aterragem, cada piloto é acompanhado por um co-piloto que circula por terra seguindo o balão à vista e através de comunicações de rádio, dando orientações ao piloto.

Balonismo: a História que começa em 1709

Já dizia Fernando Pessoa: "Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce". E, como tantas invenções que chegaram aos nosso dias, também o Balonismo começou pelo sonho de conquistar os céus.

  • 1709: No Brasil, Bartolomeu de Gusmão ficou conhecido como o "Padre Voador". No século XVIII a sua fixação por voos mais altos levaram-no a realizar inúmeros estudos para a criação de um aparelho conhecido como "Passarola", por ser arecido com um barco em forma de pássaro. Diz-se que Bartolomeu de Gusmão chegou a fazer uma demonstração da sua invenção à família real portuguesa num percurso que ligou o Castelo de S. Jorge ao Terreiro do Paço, embora não haja provas documentais.
  • 1793: Primeiro documento que faz referência a um balão de ar quente capaz de transportar passageiros. O feito pertence aos franceses Jacques e Joseph Montgolfier que escolheram passageiros especiais - uma ovelha, um pato e uma galinha. O voo durou apenas 8 minutos e o balão, já com um desenho idêntico ao que é utilizado actualmente, em vez de gás propano queimou palha, esterco e outros materiais. Talvez a experiência não fosse tão agradável como é relatada hoje em dia, mas só assim foi possível seguir o sonho de voar neste meio de transporte tão especial.
  • 1800: Surge o primeiro balão a gás, que vem ofuscar o balão de ar quente, já que permite formas diferentes e dá mais autonomia ao piloto, permitindo fazer manobras.
  • 1956: Ed Yost funda a empresa Raven Industries. A par dos seus sócios, Yost começa a desenhar e produzir balões de ar quente para o Escritório Naval de Pesquisas Navais dos Estados Unidos da América, destinados ao transporte de pequenas cargas. Um marco na história do balão de ar quente, quando se introduziram os queimadores a gás propano, um novo material para o envelope e outras medidas de segurança.
  • Anos 60: A Raven Industries começa a vender os seus balões como material desportivo, incentivando o desenvolvimento do balonismo como prática recreativa. Esta iniciativa permitiu desenvolver os balões de ar quente até aos dias de hoje, tanto nas medidas de segurança como no tamanho. Hoje já é possível transportar até 20 pessoas num único balão.

Actualmente o Balonismo é já uma prática mais comum um pouco por todo o mundo. Quem nunca viu imagens dos inúmeros festivais que acontecem ao longo de todo o ano ou mesmo das viagens turísticas típicas da Cappadocia, na Turquia? Além da dimensão dos balões que aumentou ao longo dos anos, também as formas assumem contornos diferentes, adaptadas a cada ocasião, empresa ou marca.

Fotogaleria: Quando os balões ganham forma

10 imagens que provam que a imaginação não tem limites!

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