"CUERDAS"

Prémio Goya 2014, curta metragem de Pedro Solís, Espanha
... visto com as palavras e emoções do grupo do JI de Pinheiro

"Era um menino e uma menina, chamada Maria. A menina pôs o carrinho onde ele estava em cima da corda para o menino saltar à corda. Depois ela disse: "tu gostas é de jogar à bola". E foi buscar uma bola para jogarem. Ela atou as mãos dela às mãos dele com uma corda para brincarem juntos. Ele não falava, nem se mexia, tinha as mãos assim quietas, nos joelhos. Ele estava num carrinho. A Maria ajoelhou-se no chão e abraçou-o. Outra vez a Maria pôs música, agarrou-o para dançar e sonhou que estavam a dançar os dois uma valsa. No dia seguinte a Maria viu a cadeira vazia, com um bocadinho de corda. Ficou muito feliz, porque pensou que o menino já estava lá fora a brincar. E foi espreitar à janela e à porta. Mas não o viu. Estavam duas mulheres a falar e ela ouviu e ficou muito triste. Agarrou a corda e estava a chorar, se calhar o menino tinha desmaiado ou morrido. E ela chorava, porque gostava muito dele e pensou que um dia podiam brincar juntos como os outros meninos, a correr, a saltar...Depois enrolou a corda no pulso para fazer uma pulseira."

Texto construído em conjunto, espontaneamente pelo grupo do JI de Pinheiro.

"Quando ela cresceu, a Maria, foi professora de outros meninos como aquele e ainda tinha a pulseira de corda. E ela ainda podia ter saudades do menino que tinha morrido. "

Concluiu a Madalena, 5 anos, enquanto a voz lhe tremia e as lágrimas surgiam nos seus olhos.


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