Miguel Torga

Ao longo deste trabalho, pretendo falar-vos um pouco sobre Miguel Torga e dar-vos a conhecer algumas das suas obras no teatro, na prosa e no romance. Falar-vos-ei ainda de algumas das suas ocupações.

Escolhi o conto "Miura" e pretendo também fazer a sua análise, de acordo com os tópicos que nos foram solicitados.

Biografia

Miguel Torga, ou mais propriamente, Adolfo Correia da Rocha nasceu dia 12 de agosto de 1907 em Vila Real. Tinha várias ocupações das quais escritor, médico e poeta. Faleceu no dia 17 de Janeiro de 1995 com 87 anos em Coimbra.

A origem do pseudónimo

Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha criou o pseudónimo "Miguel Torga". "Miguel", em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno.
Já "Torga" é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente retilíneo.

Miguel Cervates
Miguel de Unamuno
Planta Torga

Quando tudo aconteceu

1920: Emigra para o Brasil e fica lá 5 anos regressando em1925.
1927: Fundação da "Presença" em que colabora desde o começo.
1928: Ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Ansiedade, primeiro livro, poesia.
1930: Deixa a "Presença".
1933: Formatura em Medicina.
1934: passa a usar o pseudónimo Miguel Torga.
1939: Abertura do consultório médico, em Coimbra.

Publicações

  • Prosa:

Pão Ázimo, 1931
A Terceira Voz, 1934
A Criação do Mundo, os Dois Primeiros Dias, 1937

  • Romance:

Traço de União, 1955
O Quinto Dia da Criação do Mundo, 1974
O Sexto Dia da Criação do Mundo, 1981

  • Teatro:

Terra Firme, 1941
O Paraíso, 1949
Sinfonia, 1947

Miura

O conto que eu vou apresentar intitula-se Miura e tal como a capa do livro nos indica trata-se de Tourada. Esta capa é vermelha devido a que os touros não gostam minimamente de vermelho. A imagem da capa é a cabeça de um touro fazendo todo o sentido visto que se vai contar uma história de Tourada. Este livro foi publicado no ano de 1940.

Resumo

Ação

Introdução: Miura encontra-se no curro, e espera a sua vez de entrar na arena. Desenvolvimento: Miura sente-se já angustiado ao ver-se enclausurado naquele espaço e saudoso no que toca às recordações do seu passado feliz, enquanto os outros touros são já toureados. Entretanto, Miura entra na arena, sentindo-se nervoso e agitado, estados de espírito que acabam por ser  visíveis ao longo de todo o desenvolvimento, aliados ainda à fúria sentida pelo touro durante a tourada, que o levava a experimentar uma forte adrenalina; o toureiro investia constantemente e Miura respondia, acentuando os estados de espírito já enumerados.

Ponto mais elevado: Miura ataca o toureiro, ferindo-o, causando uma imediata reacção no público.

Conclusão: Miura, sentindo-se já cansado e vencido, entregou-se ao ataque do homem que lhe proporcionou a morte, através daquela última investida, que fez o touro sentir-se aliviado, após tanto sofrimento.

Encontramo-nos perante uma ação fechada, visto que sabemos qual foi o final de Miura – a sua derrota e consequente morte – que levou ao final da narrativa.

Personagens

Protagonista :

  • Miura, personagem principal do conto pois toda a história se desenrola com base nos seus sentimentos e emoções, quanto aos processos de caracterização é caracterizado direta e indiretamente.

Personagens secundárias:

  • Quatro toureiros
  • Malhado
  • Bronco
  • O público

Figurantes:

  • Homens

Tempo

Tempo cronológico - (acontecimentos narrados por ordem cronológica)

Tempo psicológico - (quando a personagem tem recordações ou memórias)

Tempo da história - (época em que a história se desenrola)

Tempo do discurso - (tempo cronológico criado pelo narrador)

Narrador

Neste conto o narrador é não participante.

Espaço

Neste conto existem três espaços:

  •   físico: Interior - Curro  Exterior – Arena;
  •  psicológico: Planície (onde o pensamento de Miura está);                          
  •   social: A arena que é onde as pessoa se encontram

Excerto

[...]Três pancadas secas na porta, um rumor de tranca que cede, uma fresta que se alargou, deram-lhe num relance a explicação do enigma da agressão: chegara a sua vez. Nova picada no lombo. - Miura! Cornudo! Dum salto todo muscular, quase de voo, estava na arena. Pronto! A tremer como varas verdes, de cólera e de angústia, olhou à volta. Um tapume redondo e, do lado de lá, gente, gente, sem acabar. Com a pata nervosa escarvou a areia do chão. Um calor de bosta macia correu-lhe pelo rego do servidoiro. Urinou sem querer. Gritos da multidão. [...]

Miura

[...] Súbitamente, o adversário estendeu-lhe diante dos olhos congestionados o brilho frio dum estoque. Quê?! Pois poderia morrer ali, no próprio sítio da sua humilhação?! Os homens tinham dessas generosidades?! Calada, a lâmina oferecia-se inteira. Calmamente, num domínio perfeito de si, Miura fitou-a bem. Depois, numa arremetida que parecia ainda de luta e era de submissão, entregou o pescoço vencido ao alívio daquele gume.

[...]entregou o pescoço vencido ao alívio daquele gume.

Conclusão

Eu escolhi este conto, pois queria que todas as pessoas percebessem que a Tourada não é uma boa tradição como se diz, porque desde quando é que magoar e inclusive matar os touros é uma tradição válida e com tantos aficionados? Eu sei que não sou nem nunca fui eu a mandar nas tradições de cada país, mas se fosse esta tradição acabaria já hoje.

Após a leitura deste conto, fiquei a perceber que as pessoas ao chamarem tradição a certas coisas podem vir a ser muito cruéis. O que dizer de um país que subsidia uma actividade que viola os direitos dos animais?

Portugal tem centenas de milhares de desempregados, famílias a passar fome, idosos a morrer sozinhos em casa, crianças sem material escolar, artistas que não têm trabalho... Torturar um animal é mais importante que tudo isto? Felizmente, cada vez há mais pessoas ativas e cientes da decadência e obscuridade desta prática selvagem, ao mesmo tempo que as praças de touros vão estando cada vez mais vazias.

Fica o cheiro de Miura entre muitas outras memórias nesta espuma dos dias que nos vai matando gradualmente. Terminamos todos como Miura, é tudo uma questão de tempo, de modo e de circunstância.

Webgrafia

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