“É um mito que as violações sejam consequência inevitável dos conflitos”

Angelina Jolie

Angelina Jolie esteve na cimeira sobre a violência sexual em zonas de conflito, que decorreu em Londres entre 10 e 13 de junho. Embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Jolie disse que «a violação é uma arma de guerra dirigida à população civil» e «não tem nada a ver com o sexo, mas, sim, com o poder».

A cimeira serviu para debater o problema, apresentar um protocolo com objetivo de tornar a violência sexual como um crime internacional e definir os métodos de investigação e de documentação dos casos.

O chefe da diplomacia britânica, William Hague, e a atriz norte-americana apresentaram o protocolo internacional que permitirá investigar atos de violência sexual em zonas de conflito.

A violação sexual durante as guerras é «um dos maiores crimes em massa dos séculos XX e XXI»

William Hague

Hague sublinhou que a violência sexual contra mulheres e crianças é usada de forma «deliberada e sistemática» contra as populações civis em todos os continentes e em países como a Síria, o Congo, o Ruanda e a Colômbia.

O responsável pela diplomacia britânica anunciou que o Reino Unido vai doar 6 milhões de libras (7,4 milhões de euros) para ajudar as vítimas de crimes sexuais. O país já tinha doado cerca de 173 milhões de euros para a causa.

A cimeira foi encerrada por Angelina Jolie e John Kerry, o secretário de Estado norte-americano.

Boko Haram e a violência na Nigéria

O recente caso das 200 meninas sequestradas na Nigéria pelo grupo Boko Haram também foi debatido em Londres.

#BringBackOurGirls

Um problema global

Para além da violência sexual contra as mulheres há outros fatores a considerar. Milhares de mulheres por todo o mundo são humilhadas e submetidas às mais profundas torturas e violência psicológicas.

"Os homens temem que as mulheres lhes gritem. As mulheres temem que os homens as matem"

Margaret Atwood (escritora canadiana)

De leste soam teorias para justificar a submissão da mulher e os abusos sobre os seus direitos com base na cultura islâmica. Mas no ocidente, a violência sexual contra mulheres também existe, ainda que muitas vezes mascarada.

Nas redes sociais circula um vídeo de origem na Europa de Leste que mostra o flagelo da violência doméstica no velho continente. Há quem associe o vídeo ao Governo croata outros dizem que foi produzido na Bósnia, mas não foi possível confirmar a sua origem.

Um pouco por todo o mundo multiplicam-se os apelos e campanhas para erradicar a violência contra as mulheres. Os casos mais mediatizados continuam a ser os associados ao mundo árabe.

Ainda há muito trabalho a fazer

Para erradicar a violência contra as mulheres no mundo é preciso lutar contra mentalidades e questões culturais profundas. Da Índia chegam casos de violência extrema com frequência aos media ocidentais.

O problema torna-se complexo quando surge um ministro indiano a defender atos de violação e atacantes.

«...violação é um crime "às vezes certo"»

«Respeitar e proteger as mulheres deveria ser uma prioridade para as 1,25 mil milhões de pessoas deste país»

Narendra Modi (Primeiro-ministro indiano)

Comment Stream